CMV
9 min
18 de março de 2026

Como calcular o CMV do seu supermercado (e por que isso muda tudo)

O Custo da Mercadoria Vendida (CMV) é o indicador mais importante da saúde financeira de um supermercado. Aprenda a calcular, interpretar e reduzir o CMV do seu negócio com exemplos práticos.

O que é CMV e por que ele importa tanto?

O Custo da Mercadoria Vendida (CMV) representa quanto do seu faturamento foi consumido para pagar os produtos que você vendeu. Em termos simples: se você faturou R$ 100.000 em um mês e seu CMV foi de R$ 65.000, significa que 65% da sua receita foi embora só para repor o estoque.

Para supermercados, o CMV é o maior item de custo — geralmente entre 60% e 75% do faturamento. Uma variação de apenas 2 pontos percentuais no CMV pode representar dezenas de milhares de reais por mês em um negócio de médio porte.

A fórmula do CMV

O cálculo é simples:

CMV = Estoque Inicial + Compras do Período − Estoque Final

Exemplo prático: você começou o mês com R$ 80.000 em estoque, comprou R$ 120.000 em mercadorias e terminou o mês com R$ 90.000 em estoque. Seu CMV foi:

CMV = R$ 80.000 + R$ 120.000 − R$ 90.000 = R$ 110.000

Se o faturamento do mês foi R$ 160.000, o percentual de CMV é:

CMV% = (R$ 110.000 ÷ R$ 160.000) × 100 = 68,75%

Benchmarks por setor: o que é um CMV saudável?

Não existe um CMV "ideal" universal — ele varia muito por setor dentro do próprio supermercado. Veja os benchmarks médios do mercado brasileiro:

SetorCMV MédioMargem Bruta
Açougue / Carnes68% – 75%25% – 32%
FLV (Frutas, Legumes, Verduras)55% – 65%35% – 45%
Padaria / Confeitaria35% – 50%50% – 65%
Mercearia / Secos70% – 78%22% – 30%
Bebidas65% – 72%28% – 35%
Higiene e Limpeza60% – 68%32% – 40%

As 5 principais causas de CMV alto

Antes de sair cortando custos, é fundamental entender por que o CMV está alto. As causas mais comuns são:

  • Perdas não controladas: produtos vencidos, quebras e furtos que não são registrados sistematicamente.
  • Precificação incorreta: markup insuficiente que não cobre todos os custos.
  • Mix de produtos inadequado: excesso de itens de baixa margem e pouco espaço para os de alta margem.
  • Negociação fraca com fornecedores: não aproveitar bonificações, prazos e descontos por volume.
  • Inventário impreciso: divergências entre o estoque físico e o sistema que distorcem o cálculo.

Como reduzir o CMV na prática

1. Faça inventários regulares

Inventários mensais por setor são o mínimo. Supermercados bem geridos fazem contagens semanais nos setores de maior rotatividade (açougue, FLV, padaria). Sem dados precisos de estoque, o CMV calculado é uma ficção.

2. Implante um controle de perdas

Registre cada perda: produto vencido, quebra operacional, furto. Separe por categoria e por setor. Quando você mede, você gerencia. Muitos supermercados descobrem que as perdas representam 3% a 5% do faturamento — dinheiro que simplesmente some sem deixar rastro.

3. Revise o markup por categoria

Use a fórmula: Preço de Venda = Custo ÷ (1 − Margem Desejada). Se um produto custa R$ 5,00 e você quer 30% de margem bruta, o preço mínimo é R$ 5,00 ÷ 0,70 = R$ 7,14. Muitos gestores calculam o markup sobre o custo (adicionam 30% ao custo = R$ 6,50), o que resulta em margem real de apenas 23%.

4. Negocie ativamente com fornecedores

Bonificações, descontos por antecipação e prazo de pagamento impactam diretamente o CMV. Um desconto de 2% no custo de compra, em um supermercado que compra R$ 100.000/mês, representa R$ 2.000/mês — ou R$ 24.000/ano.

CMV vs. Margem de Contribuição: não confunda

O CMV mede apenas o custo dos produtos vendidos. A margem de contribuição desconta também os custos variáveis de operação (embalagens, comissões, frete). Para uma análise completa da rentabilidade, você precisa de ambos os indicadores.

Conclusão

Calcular e monitorar o CMV mensalmente — de preferência por setor — é o primeiro passo para uma gestão financeira séria no varejo alimentar. Supermercados que não acompanham esse indicador estão, literalmente, voando às cegas.

Com os dados em mãos, você consegue identificar os setores que drenam sua margem, negociar melhor com fornecedores e tomar decisões de mix com base em números reais.

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